Jerusalém: uma cidade e três religiões

Os homens se constituem dois grupos: os que têm cérebro, mas não têm religião, e aqueles que têm religião, mas não tem cérebro (al-Maari – Poeta Árabe)

Jerusalém - uma cidade e três religiões

I – Objetivo

“Três mil anos de história nos contemplam hoje, na cidade de cuja as pedras a
antiga nação judaica se ergueu; e deste ar puro da montanha, três religiões absorveram
sua ciência espiritual e sua força…
Três mil anos de história nos contemplam hoje, na cidade onde as bênçãos dos
sacerdotes judeus misturam-se aos chamados dos muezins muçulmanos e aos sinos das
igrejas cristãs; onde em cada alameda em cada casa de pedra foram ouvidas as
admoestações dos profetas; cujas torres viram nações erguerem e caírem – e Jerusalém
permanece para sempre…
Três mil anos de Jerusalém são para nós, agora e eternamente, uma mensagem de
tolerância de religiões, de amor entre os povos, de entendimento entre as nações…”
(Yitzhak Rabin, Setembro de 1995)

O objetivo deste trabalho é buscar entender como Jerusalém atingiu o status de cidade sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos, de forma tão indelével que, mesmo no momento atual é reivindicada por israelenses e palestinos, ou seja, judeus e muçulmanos, sem esquecer dos cristãos que pretendem que ela seja considerada uma cidade aberta e não capital de qualquer Estado Nacional.

II – Origens

“Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, que se resseque a minha mãe direita. Apegue-se-me a língua ao paladar se não me lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém, à minha maior alegria” (Salmos 137: 5-6)

Localizada na região historicamente denominada Palestina – a antiga Filistina ou Terra dos Filisteus – hoje abrigando o Estado de Israel e pequenas porções do que se pretende seja um dia o Estado Palestino, Jerusalém quase nunca teve nenhuma outra importância que não fosse de cunho religioso.

Ainda que consideremos que o território da antiga Canaã (mapa 1), onde Jerusalém se encontra inserida, fosse uma região próspera, exportadora de vinho, azeite, mel, betume e cereais, entreposto comercial egípcio por volta do 3º milênio a.C. e fosse estrategicamente um ponto importante como elo entre o Egito e a Ásia, Jerusalém em si não despertava nenhum interesse, a não ser para os jerosolimitas primitivos, ou os jebusitas, um subgrupo cananeu do qual restaram poucas informações históricas ou arqueológicas.

Porém, geograficamente analisando, Jerusalém é como um jardim, já que ao sul há deserto de Neguev, a leste a árida Judéia. O mar mais próximo, o mar morto nada produz e não liga nada a coisa nenhuma, haja vista que o rio Jordão não é navegável nas altas estepes da Judéia, onde se localiza a cidade. A ligação entre o Egito e Damasco seguia por Gaza passando pela planície costeira (mapa 2), até Meguido, já na Galiléia, de onde prosseguia até seu destino final. Para que se aventurar nas regiões montanhosas mais afastadas do litoral? Ainda porque a água sempre foi um produto escasso e disputado na região.

De qualquer modo Jubuséia teve suas primeiras muralhas em torno do final do século XIX a.C. (mapa 3), época em que também se iniciaria o povoamento de Hebron. Seria justamente neste momento que os Filisteus, vindos de Creta, teriam se misturado às tribos cananéias primitivas. Indícios arqueológicos mostram a possibilidade de que a partir do século XVIII a.C. Canaã deixava de ser uma sociedade tribal e passa a ser governada por um rei. Dessa época também surgem indícios de um maior interesse egípcio pela região.

Porém, se do ponto de vista político, Canaã se encontra sob controle egípcio, do ponto de vista cultural ela tem fortes ligações com os sírios, inclusive pelo fato de serem ambos os povos de origem semita. Reforça essa identidade cultural o culto a Baal, principal deus do panteão sírio. E até advento de Javé, e mesmo por muito tempo depois, teria seguidores entre os cananeus. Aliás, são grandes as semelhanças do mito da criação do mundo, ou do triunfo do deus sobre as forças do caos, tanto na mitologia Síria como na javista. Somente muito posteriormente a mitologia javista, agora monoteísta contaria o mito da criação do universo como chegou há nossos tempos, ou seja, um princípio onde nada existia a não ser o espírito criador de Javé, que tudo fez a partir do nada, e tudo se fez por sua vontade. Primitivamente com já vimos, não era essa a visão. Assim como em outras religiões os deuses surgiram num mundo pré-existente onde as forças destrutivas já habitavam e contra elas os deuses lutaram e venceram e por isso os homens deveriam cultua-los, sob pena do retorno do caos. Ainda assim, mesmo que vitoriosos esses se tornavam simplesmente os deuses principais, mas não os únicos.

Há na história de Jerusalém uma lacuna entre os séculos XVII e XV a.C. o que faz supor que a cidade tenha desaparecido neste período. Os indícios de que ela tenha sido novamente habitada são do século XIV a.C. novamente sob o domínio egípcio, que em sua luta contra os hititas precisavam do corredor que Canaã representava.

A partir de 1486 a.C. uma rebelião de cananeus e sírios foi duramente reprimida, passando a região, dividida em quatro distritos administrativos, devedoras de pesados tributos ao Faraó.

III – O Patriarca de Três Religiões

“Darei na minha casa e dentro dos meus muros um memorial… um nome
eterno, que nunca se apagará”
(Isaías 56: 5)

Retornando ao século XVIII a.C., aproximadamente, iremos encontrar aquele que seria o elo fundamental das três religiões monoteístas. Por volta dessa época, partindo de Ur na Mesopotâmia, Abraão chega a terra de Canaã cumprindo uma determinação de Deus.

Não é possível dizer nesta época exatamente que deus era esse, como ele se chamava de fato. O termo Javé seria posterior. Mas, ainda que de modo débil era o início da trajetória da primeira religião monoteísta, e o germe das seguintes. Mas, entre o politeísmo e o monoteísmo puro, muito tempo seria necessário; haveria muitas variações que incluem um deus acima dos demais – o panteísmo – o que excluí a possibilidade de falarmos em monoteísmo e muitos momentos de franco retorno ao politeísmo, mesmo após o advento de Moisés.

Reza a lenda que da união de Abraão com sua escrava Agar, que se tornaria a sua concubina, a pedido de sua esposa Sara, Abraão gerou Ismael e dele descenderiam os árabes. Posteriormente Sara, já em idade avançada teria gerado Isaac, de quem descenderiam os hebreus. Isaac teria gerado Jacó, posteriormente chamado Israel, e este teria gerado doze filhos, que originariam as doze tribos de Israel.

IV – A Jerusalém Judaica

“Começou Salomão a edificar a Casa do Senhor em Jerusalém, no Monte
Moriá, onde o Senhor aparecera a Davi, seu pai, lugar que Davi tinha designado na
eira de Araúna, o jebuseu.”
(II Crônicas 3:1)

Por volta de 1750 a.C., provavelmente devido à escassez de alimentos em Canaã, as doze tribos teriam partido para o Egito onde prosperaram num primeiro momento, sendo depois escravizadas. Por volta de 1250 a.C., comandados por Moisés, que, aliás, figura como profeta para as três religiões, fogem do Egito, fuga esta cercada de mitologia. Após vagarem, conforme textos bíblicos, quarenta anos no deserto e receberem as Tábuas da Lei de Deus, a Tora, chegam a Canaã. Mas, este também é um período repleto de retorno à idolatria do paganismo. Moisés morre antes, e cabe a Josué conduzir o povo a então chamada Terra Prometida. Contudo, para tomarem posse dela por volta de 1200 a.C, precisam enfrentar batalhas ferozes, onde teriam ocorrido muitos massacres. Vitoriosos, os hebreus não conseguem, porém, ocupar Jerusalém. Os jebuseus se defendem e impedem sua ocupação. Deste modo, a Jerusalém tão fundamental aos judeus é, num primeiro momento, um território inimigo e hostil, e assim se manteria por duzentos anos, tempo necessário a sua conquista.

A ocupação da Palestina, mesmo se excetuando Jerusalém, não é total, ou seja, a vitória não é definitiva. Por volta de cento e cinqüenta anos, israelitas, filisteus e cananeus se enfrentam sem que nenhum deles consiga obter o controle total da região.

Somente por volta do ano 1000 a.C., Davi consegue unificar o território que num primeiro momento teria Hebron como capital (mapa 4). Posteriormente após sete anos de seu reinado transfere a capital para Jerusalém, de onde comandaria por trinta e cinco anos. Coube a ele a construção do Primeiro Templo Judeu (mapa 5 e 6), para que para lá fosse levada a Arca da Aliança. Javé, até então um Deus errante, uma divindade do deserto seria então entronizado. Este gesto de Davi trazia em si, todo um simbolismo aos judeus, que a partir de então teriam Jerusalém não somente como capital mas, como uma Cidade Sagrada com o templo que abrigava a Arca da Aliança e, por conseguinte, o próprio espírito de Javé.

Sucedido pelo lendário Salomão, filho de Davi, os hebreus passaram pela fase mais próspera de sua história enquanto estado independente, mas esta fase não se perpetuaria após a morte de Salomão. O reino se dividiu. Dez tribos formaram ao norte o reino de Israel, adotando Samaria como capital; e as outras duas formaram no sul, o reino de Judá, tendo Jerusalém como capital (mapa 7). Não seriam, entretanto, reinos duradouros.

Em 720 a.C., sob o comando de Sargão o reino do norte é tomado pelos assírios. Em 597 a.C., é a vez de Judá cair nas mãos dos babilônios; desta feita por obra de Nabucodonosor II que toma Jerusalém, destrói o Templo e escraviza seus habitantes. É o momento da diáspora judaica.

Os hebreus retornariam à Palestina, em 538 a.C., por intermédio de Ciro, o grande, rei dos persas que além de permitir o retorno dos hebreus, concede-lhes a permissão e subsídios para reerguerem novamente o Templo, cuja reconstrução se deu por volta de 520 a.C.

Na realidade o desejo de Ciro foi fixar os judeus num ponto estratégico fazendo-os servir de parede a qualquer tentativa de invasão por parte dos egípcios; antigo e forte inimigo persa.

Após duzentos anos como vassalos da Pérsia, a Palestina cai em mãos dos macedônios comandados por Alexandre Magno, em 333 a.C. Durante o seu reinado Alexandre tentou impor o helenismo aos habitantes locais, com algum sucesso exceção à Jerusalém, que por falta de atrativos tornou-se provinciana, não despertando interesse deste grande general. Foi curto o período de domínio macedônio, pois Alexandre morreria em 323 a.C. e seu império seria alvo das lutas internas de seus generais, pelo comando supremo do maior império até então constituído. O império macedônico se fraciona em três partes: a própria Macedônia, a região da Ásia menor e o Egito helenizado; este último dirigido pela dinastia dos Ptolomeus.

Assim sendo, o período de liberdade dos judeus não seria longo. Em 301 a.C. a região seria novamente dominada pelos egípcios, agora sob inspiração helenística. Tal como fizera a Pérsia, agora era o Egito que se servia da Palestina como escudo, e desta feita contra os próprios persas. Tal ocupação se estenderia por cem anos. Porém, ao contrário de Alexandre, os Ptolomeus não interferiram no modo de vida da população local, muito menos na sua religião, de modo que estes gozaram de certa liberdade.

Entre 219 e 203 a.C., foi a vez dos selêucidas, governadores do reino grego da Mesopotâmia, tentarem dominar a Palestina. A efetivação dessa conquista se deu em 300 a.C., sob o comando de Antíoco. Jerusalém que desde o início apoiara os selêucidas, foi favorecida e a religião judaica foi amplamente respeitada e amparada. Mas esta situação não iria perdurar muito além. Em 170 a.C., um grave revés se daria, quando Antíoco IV, se viu diante de uma rebelião causada por sua inabilidade na nomeação do sumo sacerdote judeu. As conseqüências foram trágicas para os judeus. O Templo foi profanado, Jerusalém passa a ser uma colônia militar e o estatuto que garantia a liberdade religiosa foi revogado, sendo então, a partir daí, proibidas as liturgias no Templo, o descanso do Sabá, a circuncisão e a observação das leis de pureza. Este episódio ficaria marcado como a primeira perseguição religiosa da história. A morte era o castigo ao desrespeito ao Edito imposto pelos selêucidas.

Tal situação levou a uma nova rebelião que passaria à história como a Rebelião dos Macabeus. Coube a Matatias, um velho sacerdote asmoneu, acompanhado de outros judeus que se exilaram nas colinas iniciarem a rebelião. Com a morte de Matatias em 166 a.C., Judas, seu filho, comanda ataques a tropas gregas e sírias. Em 164 a.C. é revogado o Edito que restringia o culto judaico e Judas passa a controlar Jerusalém. Parte do sucesso se deveu as lutas internas dos selêucidas, e ainda assim a vitória não foi completa, tendo em vista que não se efetivou a total expulsão dos gregos ou dos judeus a eles simpatizantes.

Em 161 a.C. Judas se alia aos romanos consolidando sua posição. Por volta de 125 a.C., iniciou-se um breve período expansionista, sob comando de João Hircano. Porém problemas internos logo surgiram. Alexandre Janeu, filho de Hircano, teve um reinado impopular. Após uma rebelião, ordenou a execução de seis mil pessoas, noutra mandou crucificar oitocentos rebeldes. Continuou o processo expansionista de seu pai e oferecia duas opções aos conquistados: a conversão ou o exílio. Após sua morte, em 67 a.C., a questão sucessória levou a intervenção de Roma, através do general Pompeu, chamado pela seita dos Fariseus que pediu a abolição da monarquia, contra a qual alegavam ser estranha às tradições religiosas judaicas.

Inicia-se assim o longo período da ocupação romana na Palestina (mapa 8) que não foi interrompida nem quando Pompeu já Imperador foi derrotado por Júlio César, em 49 a.C. O posterior assassinato de César levou o império romano a um período crítico que se encerrou com a ascensão de Otávio ao posto de Imperador. Houve, entretanto, um breve lapso quando em 40 a.C. o príncipe asmoneu Antígono assume a Palestina. É nesse momento que surge a figura de Herodes um judeu que consegue fugir para Roma e convence senadores a nomeá-lo governador da Palestina. Em 39 a.C. conquista a Galiléia e em 37 a.C., após um cerco de 4 meses, toma Jerusalém . Ocorre um grande massacre de judeus e Antígono é executado por Marco Antônio, a pedido de Herodes, prática que seria constante em seu governo: eliminar todos aqueles que se opusessem a sua autoridade.

Sob o reinado de Herodes Jerusalém conheceu um surto progressista, chegando a ter em torno de 120 mil habitantes permanentes. A cidade também teve suas muralhas reconstruídas (mapa 9). Entre outras obras coube a Herodes, a reconstrução do Templo, além de um amplo programa de reformas que dotaram a cidade de novas edificações e um novo desenho de ruas que facilitaria o tráfego e o planejamento urbano, o que fez de Jerusalém uma das mais importantes metrópoles do oriente.

Foi também astutamente atencioso para com os romanos, não só tolerante com relação ao paganismo, permitindo a construção de templos pagãos e uma completa liberdade religiosa, mas dotando a Palestina de obras que homenageavam seus protetores romanos, como é o caso da cidade de Cesárea (homenagem a César) e a Fortaleza Antônia (homenagem à Marco Antônio). Na própria Jerusalém, entretanto não permitiu a construção destes templos pagãos. Era uma forma de evitar qualquer tentativa de rebelião, porém, pouco antes de sua morte mandou erigir sobre a Porta do Templo a águia de ouro símbolo da Roma Imperial e do deus Júpiter. Com esta atitude certamente Herodes, sabendo que estava para morrer e que seu gesto provocaria uma rebelião, estava deixando uma clara mensagem: somente ele fora capaz de trazer um período de paz à região. Realmente durante o reinado de Herodes, Jerusalém conheceu um progresso tão fantástico que entre 300 e 500 mil peregrinos ali se reuniam nas festas religiosas.

A morte de Herodes em 4 d.C. levou de fato instabilidade à Palestina. A partir de 6 d.C., a Judéia passou a ser governada por prefeitos romanos que transferiram a capital para Cesárea. A situação oscilava entre alguns momentos pacíficos e outros de muitos de tensão. Em 26 d.C., Pôncio Pilatos mandou afixar estandartes com retrato de César no alto da Torre Antônia, uma clara provocação aos monoteístas que não admitiam esse tipo de idolatria. Em 30 d.C. Jerusalém foi novamente estremecida pela figura de Jesus, a quem alguns viram como uma ameaça, ao entrega-lo aos romanos para crucificação estavam trazendo ao mundo uma nova religião que posteriormente lhe seria implacável na sua intolerância, e por este gesto de encaminhá-lo para morte muitos judeus sofreriam ao longo dos séculos.

Em 41 d.C., sob o império de Caio Calígula, mais uma profanação, quando o Imperador mandou erguer sua estátua no santuário.

A tensão se tornou crescente e piorou quando os zelotes, um grupo rebelde resolveu incitar uma revolta com o objetivo de expulsar os romanos. Para combate-los, Roma designou seu mais competente general, Vespasiano, que chegou a Palestina em 67 d.C. e iniciou o processo de repressão aos rebeldes. Retornando à Roma em 70 d.C., na condição de Imperador, deixou seu filho Tito a quem coube o cerco a Jerusalém, em fevereiro daquele ano. Em maio transpôs uma das muralhas e destruiu uma segunda. A luta concentrou-se em torno do Templo que foi invadido em 28 de agosto. Houve então, um combate contra 6 mil zelotes que só se renderam ao ver o Templo destruído. De pé, só restou o atual Muro das Lamentações. Esta foi a derradeira destruição. O Templo jamais seria reerguido. Jerusalém deixava assim definitivamente de ser judaica no que diz respeito ao plano político-administrativo. Jamais, entretanto, perderia sua condição de Cidade Sagrada. Porém para os judeus, daí em diante viver ali dependeria da boa vontade de seus diversos ocupantes que se revezariam ao longo da história, boa vontade esta com a qual nem sempre puderam contar.

O muro Ocidental
O muro Ocidental

V – A Jerusalém Cristã

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são
enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos… e não o quisestes!”
(Jesus Cristo – Mateus, 23)

A importância da Palestina para os cristãos está nas origens daquele que daria a vida a esta nova corrente nascida primitivamente no seio do judaísmo. Jerusalém é o ápice do cristianismo por ter sido a última cidade visitada por Jesus. Nela ele entrou sob aclamação, celebrou sua última páscoa, foi preso, julgado, torturado, martirizado e morto, nela se cumpriram as antigas profecias culminando com a ressurreição do Messias e sua ascensão aos céus.

Se num primeiro momento todos esses fatos estavam restritos aos habitantes locais, todos judeus como o próprio Jesus, logo esses fatos se espalhariam além das fronteiras Palestinas, através de Paulo, um judeu romanizado, que de perseguidor de cristãos passou a propagador da nova fé, após uma visão do Cristo lhe dando a missão de espalhar o evangelho. Tornada religião oficial do Império Romano em 313 d.C. pelo Imperador Constantino, sofreu um pequeno revés com a morte deste, em 361 d.C. e a subida ao trono de seu sobrinho Juliano que tentou um retorno ao antigo paganismo. Porém em 363 Juliano parte em campanha contra a Pérsia de onde não retornaria. Assume o trono Joviano que logo tratou de banir os judeus de Jerusalém. Decididos a marcar presença na Cidade Santa, os cristãos trataram de construir monastérios e Templos de tal modo que em 390, a cidade estava tomada por monges, freiras e peregrinos. No final do final do século IV, em 379, Teodósio I torna-se Imperador, e dada às invasões bárbaras no ocidente aumenta o fluxo em direção ao oriente. Em 380 Teodósio se estabelece em Constantinopla e levas de refugiados, migram para a Palestina, fixando-se em especial em Jerusalém.

 

A Basílica do Santo Sepulcro
A Basílica do Santo Sepulcro

Com a queda do Império do Ocidente e a cristianização dos reinos bárbaros aumenta consideravelmente o poder cristão. Esses cristãos ocidentais, entretanto desconheciam os lugares santos tão próximos dos cristãos orientais. Num futuro não muito distante tal desconhecimento teria graves conseqüências. Entretanto, ainda que não desmerecesse a importância de Jerusalém não foi a ela que dedicaram a sé principal do mundo cristão como reivindicavam os orientais. Tal honraria caberia ao bispo de Roma que daí em diante seria o papa, o sumo pontífice da cristandade.

Para os cristãos bizantinos, porém, Jerusalém se revestia de um caráter totalmente santo, e novas edificações, peregrinações, festas religiosas, se sucediam. Hospedarias, monastérios, basílicas e santuários se multiplicavam (mapa 10).

Mas, a Jerusalém cristã sofreria uma ameaça antes do advento de uma nova religião monoteísta idealizada por Maomé.

A partir de 610, Cosroés II, rei da Pérsia marcha contra Bizâncio. Em 614 após dominar Damasco (613) chegam à Palestina. Em abril estão nos muros de Jerusalém, o cerco durou três semanas e nesse período santuários, igrejas e basílicas, situados fora dos muros da cidade são destruídos. Em maio Jerusalém é tomada. Calcula-se em mais de 66 mil o número de cristãos mortos. Os persas contaram com a ajuda dos judeus, a quem confiaram a guarda da cidade enquanto prosseguiam em sua campanha. Foi breve, porém, este domínio judeu sobre Jerusalém, pois em 616 os persas retornam por entenderem que não haveria paz na região sem concessões à maioria cristã.

A partir de 622 Heráclito, Imperador bizantino, iniciou uma ofensiva contra os persas. Após 6 anos de luta em território persa e com a morte de Cosroés II, a guerra cessou. Feitas as pazes as duas potências se retiram das áreas ocupadas. Nenhuma delas, entretanto, se recobraria do desgaste da campanha, e encontraram-se perigosamente enfraquecidas quando uma nova leva de invasores agora em nome de Alá, começava a se fazer notar no horizonte.

Basílica da Agonia no Jardim de Getsêman
Basílica da Agonia no Jardim de Getsêman

Embora não tomasse nenhuma atitude mais drástica contra os judeus colaboracionistas, Heráclito baniu-os novamente de Jerusalém. Era o mínimo que poderia fazer para conter a fúria cristã. Ainda assim houve casos de execução. Boa parte dos judeus se exilou na Pérsia ou no Egito. Os que ficaram na Palestina embora não proibidos tiveram cerceado os seus cultos. O auge dessa perseguição ocorreu em 634 quando o Imperador ordenou o batismo de todos os judeus.

VI – Jerusalém Muçulmana

“Glória a Ele que tomou seu servo a uma Jornada à noite desde o Sagrado
Santuário ao mais remoto Santuário, cujo o recinto nós abençoamos”
(Corão, Surata Al-Isra 17:1)

Se, é fácil explicar o caráter sagrado de Jerusalém para judeus e cristãos, no caso dos muçulmanos tal explicação segue não por uma linha direta, mas sim por vias transversas que une Abraão, o Patriarca das três religiões e os últimos momentos da vida de Maomé, o Profeta. Conforme já demonstrado os judeus viveram e morreram pela cidade, sofreram a cada destruição do Templo e se alegraram no momento da reconstrução. Sobreviveram enquanto unidade religiosa, mesmo quando o templo deixou de existir em caráter definitivo. Buscaram novas formas de chegar ao sagrado, mas Jerusalém sempre foi ou o palco dos acontecimentos ou o alvo das suas mais caras aspirações.

Para os cristãos tal importância atribuída a Cidade Santa também é direta, não só por sua ascendência judaica, se bem que essa ascendência seria execrada posteriormente, Cristo, o filho divino de Deus cumprira na cidade todas as profecias.

No que toca aos muçulmanos podemos começar por invocar a figura de Abraão, mencionado no Corão com muçulmano, não por ser seguidor do livro sagrado obviamente, mas por ter entregado sua submissão à vontade de Deus, que é, aliás, o significado da própria palavra muçulmano – aquele que se submete à vontade de Deus. Além disso, não podemos esquecer a figura de Ismael, filho de Abraão de quem os árabes descendem. Mas, este acontecimento num passado remoto não justificaria apenas por si mesmo, o sentimento muçulmano por Jerusalém; algo mais seria necessário.

É verdade que na fase inicial da nova religião Maomé determinou que as orações fossem feitas em direção a Jerusalém. Tal atitude devia-se ao fato de que a Caaba – símbolo original de adoração dos árabes 1 . Encontrava-se, segundo Maomé, poluída pelos ídolos e por isso seus discípulos deveriam orar de costas para ela. Jerusalém foi escolhida por que ali estariam as origens das antigas tradições judaico-cristã, do qual o Islã seria a forma perfeita e definitiva. Ao perceber que esta reverência não surtia o efeito desejado Maomé decide romper com as antigas tradições, preferindo interpretar o islamismo não como uma continuidade, mas, sim como um retorno à fé primordial de Abraão.

Porém, Jerusalém não seria apartada do imaginário sagrado muçulmano. A Cidade Santa dos judeus e cristãos tinha uma áurea que atrairia Maomé, a ela estavam associados importantes profetas adotados pelo Islã, Jesus Cristo inclusive. E a cidade iria adquirir um sentido mais sagrado ainda quando posteriormente se divulgaria a crença que em 620 a.C., antes da Hégira portanto, durante uma oração na Caaba Maomé teria sido transportado pelo anjo Gabriel para Jerusalém, viagem feita no dorso de Burãq, um cavalo alado. No Monte do Templo ambos foram recebidos por uma infinidade de profetas predecessores de Maomé. De Jerusalém subiram os sete céus através de uma escada e em cada uma destas esferas celestes encontravam um profeta que a presidia. Eram Adão, Jesus, João Batista, José, Henoc, Aaraão e Moisés. Abraão encontrava-se na entrada que levaria ao Trono Divino, e lá Maomé recebeu a revelação final. Tal viagem, além de afirmar o islamismo como a forma final do monoteísmo iniciado por Abraão, conferia santidade à Jerusalém.

Após a morte do Profeta, dando continuidade ao processo de expansão do Islã, sob o comando do Califa Omar, os muçulmanos chegam à Palestina, sendo bem recebidos pelos não cristãos, cansados da política de perseguição e intolerância bizantina.

Em julho de 637 o exército islamita chega as muralhas de Jerusalém, que se rende em fevereiro de 638. Ao contrário do que seria esperado nenhuma perseguição, nenhuma destruição, nem expulsão foi verificada. Foi pacificamente que Jerusalém se tornaria muçulmana (mapa 11). Bem diferente do que ocorreria em 1099, por ocasião da 1ª Cruzada. Mas, esse era o espírito islâmico: tolerância; bem oposto ao cristão de total intolerância.

Salvo o período posterior a 1ª Cruzada, e por um lapso de tempo de aproximadamente um século, tempo necessário a sua retomada, Jerusalém foi muçulmana, entre 638 quando da sua primeira conquista até 1948 quando foi tomada por Israel.

No período muçulmano houve também momentos de maior e menor tensão contra cristãos e judeus, mas a tônica predominante foi sem dúvida a da convivência em harmonia, ou seja a de tolerância. Dentre os exemplos dessa atitude tolerante podemos destacar fora o acima mencionado, da sua primeira ocupação, o reinado de Saladino que, em 1187, retoma para o Islã a Jerusalém perdida na 1ª cruzada. Quando se esperava que o massacre de 1099 fosse vingado, Saladino toma posse da cidade e não há um só caso de execução. Os ricos pagaram resgate e foram libertados, os pobres tornam-se prisioneiros e dentre estes não foram poucos os libertados por Saladino, comovido até as lágrimas com o sofrimento destes. Seu próprio irmão solicitou, e foi prontamente atendido, mil prisioneiros os quais tornou libertos.

O Haram al-Sharif
O Haram al-Sharif

Se nos lembrarmos dos ensinamentos de Jesus Cristo há que se perguntar quem foi mais cristão, os cruzados de 1099 ou o muçulmano Saladino de 1187?

Posteriormente o comando do Império Muçulmano caberia aos mamelucos, povo originário das estepes eurasianas inicialmente escravizados pelos muçulmanos, posteriormente convertidos por vontade própria, e que passaram a fazer parte do corpo de elite das tropas dos exércitos islâmicos. Embora dessem a Jerusalém uma especial atenção do ponto de vista religioso, nunca se ocuparam de sua defesa, de modo que jamais reergueram os muros da cidade (mapa 12). Mantiveram-se no poder até o advento dos turcos otomanos que derrubaram o Império Bizantino em 1453, e em 1516 tomaram posse de Jerusalém. Mas aqui já não estaríamos mais falando da idade média que didaticamente se encerraria com a queda de Constantinopla e o fim do Império Cristão do Oriente.

VII – Jerusalém Uma Cidade de Conflitos

“Pelas muralhas e portas, derrubando, destruindo, ou prendendo fogo no que
se lhe opunha, o exército vencedor penetra então na cidade. O ferro semeia por todas
as partes a desolação e a morte, o luto e o horror, suas companheiras. O sangue forma
lagos ou corre em arroios que arrastam no seu curso cadáveres e moribundos”
(Torquato Tasso – Jerusalém Libertada, Canto XVIII, 1575)

Jerusalém, Cidade Santa. Às vezes é difícil entender certas denominações tomando[1]se apenas e simplesmente o sentido literal das palavras. Jerusalém, tantas vezes destruída, tomada, invadida. Jerusalém que assistiu tantos massacres, tanta mortandade atitudes da mais pura crueldade e bestialidade, tantas vezes se usando a sua suposta santidade como razão, o próprio deus nela venerado como mandante dos atos mais bárbaros. Jerusalém por quem se massacrou judeus, cristãos, muçulmanos, pagãos, jovens, velhos, mulheres e crianças. Como diante disso tudo falar em Cidade Santa? Só mesmo a força de um algo que está além da compreensão fria e calculista dos fatos, que transcende o pensar racional, permite ver Jerusalém como uma Cidade Sagrada.

Não foram somente os homens que lhe trouxeram destruição, em diversas épocas a cidade foi destruída por terremotos de menor ou maior intensidade. Mas, nem mesmo esses episódios tiveram a intensidade da destruição que foi provocada pelas mãos humanas.

Poderíamos aqui discorrer sobre os inumeráveis conflitos nos quais Jerusalém foi o estopim ou o objetivo. Teríamos que vir desde antes do próprio advento do monoteísmo, teríamos que falar de guerra entre estados, de conflitos religiosos e até mesmo de lutas fratricidas. Não há como nos estendermos em nenhum deles, porém um não poderia deixar de ser citado, tal foi sua cruel e bárbara magnitude. É um daqueles fatos que tem a força de mudar definitivamente o rumo da história. Estamos falando da conquista de Jerusalém por ocasião a 1ª Cruzada, em 1099. A Jihãd, a guerra muçulmana contra o infiel, teria esta conotação, após este episódio, bem diferente da conotação que tinha anteriormente e com esta nova visão seria levado a cabo. Após a Cruzada de 1099 a perfeita convivência pacífica entre as três religiões monoteístas, desejo sincero do Islã estaria perpetuamente comprometida e Jerusalém, para os seguidores de Alá permaneceria sagrada, mas para assim continuar teria que, por ocasião de sua reconquista, ser efetivamente islamizada, coberta de templos, numa atitude fortemente defensiva. Mas ainda assim, o Islã nunca se afastaria de todo de sua primitiva convicção de tolerância. E ainda que moralmente atingidos em sua honra e em sua dor pelos atos cristãos, não foram poucos os momentos que as portas de Jerusalém foram pacificamente abertas para receber judeus e cristãos para que estes pudessem exercer sua fé nos locais que cada qual julgava sagrado.

Mas, o que foi a 1ª Cruzada, e o que ela teve de tão trágico?

Em 1071, os seldjúcidas ocupam a Ásia menor que pertencia aos bizantinos. Sentindo-se ameaçado o Imperador Aleixo I pede ao papa Urbano II, em 1095, um destacamento mercenário para fazer frente ao avanço muçulmano. Pensando nas possíveis conquistas territoriais e no aumento de poder político, Urbano II conclama a Europa a unir[1]se contra os “bárbaros infiéis” que supostamente tratavam como escravos, os cristãos orientais, com a promessa de remissão dos pecados e afirmando que aqueles que tombassem nessa luta teriam lugar garantido no paraíso. Tal pregação atingiu sua meta e ao invés de um destacamento mercenário o Imperador Aleixo I recebeu primeiramente uma multidão de fanáticos esfarrapados, seguidores de Pedro, o Eremita. Posteriormente, em 1096, 60 mil homens de 5 exércitos partem em direção à Jerusalém. Ainda no início da marcha iniciaram-se as atrocidades. Os alemães acharam por bem adiantar o extermínio dos infiéis começando com os judeus que acharam pelo caminho e que nada sabiam do que estava acontecendo nem lá, nem acolá. Foram comunidades inteiras dizimadas. Daí por diante esta prática se tornaria comum e mesmo posteriormente. A estes exércitos se uniram outros 5, agora com mais 100 mil soldados.

Tamanha empresa necessitava de uma logística que não fora traçada. Foram necessários 3 anos para aportarem em Jerusalém. Muitos morreram de fome, calcula-se que entre 1097 e 1098, 1 em cada 7 homens tombou por esta razão. Foram muitas também as deserções.

Finalmente em 15 de julho de 1099 o apocalipse se fez presente na Cidade Santa. Foram três dias de massacres onde tombaram 30 mil jerosolimitas. Para morrer bastava estar vivo, se mexer. Nem mesmo os animais foram poupados. Não se importavam com a idade ou sexo: crianças, mulheres e velhos. Não se importavam onde estavam refugiados, na mesquita, ou na sinagoga. Todos foram passados à espada.

Não é figura de linguagem do rio de sangue que correu em Jerusalém. Nas palavras de Raymond Aguiles “Cabeças, mãos e pés, se amontoavam” 2 . E regozijando-se do que descrevia ele ainda diria que “ (…) No Pórtico de Salomão homens cavalgaram com sangue até os joelhos e as rédeas. Foi a esplendidas justiça de Deus que fez o sangue dos descrentes inundar este lugar, que durante muito tempo sofreu com suas blasfêmias” 3 e ainda arremata “Este dia, afirmo, será famoso em todos os tempos futuros, pois converteu nossos esforços e nossos sofrimentos em alegria e exultação. Este dia afirmo, assinala a justificação de toda a cristandade, a humilhação do paganismo, a renovação da fé. ‘Este é o dia que o Senhor preparou regozijemo-nos com ele’, pois neste dia o Senhor se revelou a seu povo e o abençoou” 4 .

O retorno de uma vida normal em Jerusalém (mapa 13) demandaria tempo, tendo em vista que cinco meses depois cadáveres, ainda estavam espalhados pela cidade. A florescente e próspera Jerusalém, em nome de Cristo, obviamente sem seu consentimento, tornará-se num fétido cemitério a céu aberto.

Para a honra e glória dos homens religiosos, porém sem cérebro.

VIII – Considerações Finais

“Quando ia chegando, vendo a cidade chorou…”
(Lucas 19:41)

Certos aspectos devem ser ressaltados sobre as três religiões que se revezaram na ocupação de Jerusalém, alguns comuns a todas.

Jerusalém – vista parcial
Jerusalém – vista parcial

Primeiro seria dizer que todas elas, fora as questões externas, passaram por momentos de conflitos internos, fossem por questões religiosas ou políticas.

Do mesmo modo, todas elas, fossem dominantes ou não no comando da cidade, tiveram a preocupação em construir e em embeleza-la, cada uma é claro segundo suas crenças. E mesmo quando não detinham o poder político, ainda assim muitas vezes obtiveram autorização para tal. Igualmente também foi comum a cada uma delas destruir aquilo que não lhes era importante, o que nem sempre ocorreu, mas que nem por isso pode se dizer que foi raro.

Outro ponto de contato entre as 3 crenças está no espírito apocalíptico, para todas elas o momento do Juízo Final se dará em Jerusalém. Dali o Deus supremo de cada uma fará o julgamento.

Por fim numa visão simplificada mas não fora da realidade, com relação às três religiões podemos ter em mente o seguinte quadro:

  • Os judeus foram o povo que por mais tempo ocupou a região, mas também o que a deixou, qualquer que fosse o motivo, num passado mais remoto, e como vimos foram poucos os momentos de autonomia. Foram os mais perseguidos e os que menos se defenderam, ou que se preocuparam em se defender. Em certas ocasiões foram intolerantes, mesmo quando em posição de insubordinação, mas na maior parte do tempo, foram como folhas indo e vindo ao sabor do vento. Nunca perderam o amor e o respeito para com Jerusalém, que sempre fez parte dos seus mais caros sonhos.
  • Os cristãos foram os mais intolerantes e, muitas vezes, barbaramente cruéis com relação não somente às duas outras religiões mas, de modo geral, a todos àqueles que não professassem o cristianismo. Tiveram, por fim, um período bastante breve de real domínio sobre a cidade.
  • Os muçulmanos foram os mais tolerantes na região, houve momentos de intolerância, mas estes não foram à tônica. Reconheceram desde cedo a importância das outras duas religiões e a seus seguidores, na maior parte do tempo, deram liberdade de culto, mediante o pagamento da dhimma, o tributo do não muçulmano. Não os viam como adversários a serem aniquilados ou convertidos. Tornaram-se mais desconfiados, principalmente com relação aos cristãos, especialmente após a 1ª Cruzada. Porém nem mesmo com este nefasto acontecimento deixaram de lado seu ideal de tolerância. Desde a expulsão dos cristãos por Saladino em 1187, até o advento do Estado de Israel em 1948, foi a religião dominante na região. Deste modo pode-se dizer que foi o maior período de ocupação autônoma.

Bibliografia.
1. ARMSTRONG, Karen. Jerusalém: uma cidade, três religiões, SP, Companhia das
Letras, 2000.
2. ARMSTRONG, Karen. Uma História de Deus: quatro milênios de busca do
judaísmo, cristianismo e islamismo, SP, Companhia das Letras, 1994.
3. Site Israel Ministry of Foreign Affairs
4. Site do historiador Voltaire Shilling

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